adágio

muito ajuda o que não atrapalha
antes um na mão que dois voando
quem não envolve não desenvolve
a pressa é inimiga da perfeição
antes só do que mal acompanhado
deus só ajuda quem cedo madruga
escreve certo por linhas tortas
quem não tem cão, caça com gato
dois coelhos em uma cajadada só
dei a mão, quer o braço inteiro
nunca julgue um livro pela capa

meu reveillon

você é meu reveillon.
toda noite somos súditos,
das mais incríveis festas.
sejamos muitos,
ou apenas nós.

apenas não.

nós.

xadrez

o xadrez é um jogo impressionante,
revela tanto do nada que somos.

os tabuleiros aí,
às vistas.

nada sabemos,
nada vemos,
incautos.

felizes são os jogadores.

cortiço

23h23min,
42 janelas encontram-se.
todas banheiro,
no banho.

imensidão por dentro.
ruídos pelas ventas.
sem toque,
as intimidades encontram-se

deus escreve

deus escreve

 c
 e
 r
 t
por
 l
   i
     n
   h
 a
   s
      t
         o
       r
    t
     a
        s

élith

a poesia na tua boca era luxúria
o coturno no teu pé era trator
a tatuagem pelo corpo, cicatriz
o cabelo colorido tua marca
a rebeldia no olhar, ação
o sorriso imensidão
a obra, tesão

(in)tensa existência
gratidão

amar

co        a
nhe       pai
cer       xo
          nar
 a
ama
 a
    a
       a
          a
           a
           a
         a
       a
     a
     ar   viveu.

palmas

arte de bater palma
m                 r
l                 t
a                 e
p
                  d
r                 e
e
t      sem        b
a      emitir     a
b         som     t
                  e
e                 r
d
                  p
e                 a
t                 l
r                 m
amlap retab ed etra

imperdível

imperdível é
               c
              gozo
               m
               i
               d
              cama

repulsômetro

       l         suor
       á           peido
s   p cgr           pêlos
u  ci orecb       chu
op ho cimaap     piolho
repulsômetro        sangue
 iêlha alaar     cocô
 dléon  artr  lágrima
 oo ag   raa     remela
  s  u   o !      catarro
     e            barata
                   porra!

o medo de pronunciar palavras

o medo de pronunciar palavras

anticonstitucionalissimamente
procrastinação papibaquígrafo
subjetividade a promiscuidade
interpessoal uma cumplicidade
resiliência nutre ambigüidade
pragmático empatia ostentação
concessão ignorante altruísta
paradoxo contundente stalkear
escroto discernimento sucesso
cínico idiossincrático clichê
porra intertextualidade tênue
peço indiscriminadamente amor
chato pseudointelectual blasé
cético simultaneamente insano
lobista indissociável coxinha
metódico prepotência monótono
subjetivo assexuado promíscuo
iniquidade baralho sarcástico
egocêntrico entre subseqüente
libertinagem que malemolência
reciprocidade o empoderamento
personificação pistantrofobia
hipopotomonstrosecomalhofobia

pmdb

     alraparla
omsiratnementarismo
        odo
    lisarbrasil

brainstorm

hora da brisa
dedos batem
no teclado

um dia
talvez nunca
sobriedade refina