Juramento do Professor Doutor

Eu juro solenemente descontar tudo que sofri no mestrado e doutorado em meus alunos de graduação. Não que eles mereçam, mas simplesmente porque eu quero.

Eu juro solenemente enviar um e-mail com o texto (de 200 páginas) poucas horas antes da aula e, após perguntar se os alunos leram e ouvir o planejado som do silêncio, fazer cara de Willy Wonka.

Eu juro solenemente pedir uma resenha crítica por semana que, com o mínimo de 20 laudas (se não sabe o que é lauda, vá estudar, você precisa de vocabulário acadêmico), coloque 13 autores para debater, apresente problemática, hipótese e respostas para todas as questões do universo.

Eu juro solenemente deixar uma matriz (toda arregaçada), na quarta geração de xexérox (xérox da xérox da xérox da xérox), praticamente ilegível, na pasta da copiadora, junto com 218 outros textos. Afinal, pra quê facilitar?

Eu juro solenemente não passar lista de presença, mas, reparar todos os alunos que faltaram na minha aula e perguntar no dia seguinte as causas, motivos, razões e circunstâncias que os levaram a serem tão desrespeitosos.

Eu juro solenemente continuar sem aprender como ligar um projetor e, se possível, usar transparências xexelentas que remetam ao período paleolítico.

Enfim, juro solenemente fazer jus aos meus títulos.

São Paulo, 17 de agosto de 2012